Resistência e Dissipação em Eletrônica de Potência: Lei de Ohm, Efeito Joule, RMS e Derating
Entenda como resistores dissipam energia em eletrônica de potência e aprenda a dimensioná-los usando Lei de Ohm, potência, RMS, PWM, tolerância, TCR, derating, limites de tensão, energia de pulso e análise térmica.
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Em eletrônica de potência, o resistor parece ser um dos componentes mais simples do circuito. Mas, quando entram em cena corrente elevada, PWM, temperatura e pulsos de energia, ele deixa de ser apenas o símbolo R de uma equação e passa a ser um componente eletrotérmico que precisa ser dimensionado com cuidado.
Um resistor marcado como 5 W não significa “5 W em qualquer condição”. A potência admissível depende da temperatura, montagem, ventilação, tensão máxima, duração dos pulsos, tolerância, coeficiente de temperatura e das condições definidas pelo fabricante.
O objetivo deste artigo é transformar Lei de Ohm, RMS, efeito Joule, tolerância e temperatura em um método prático de seleção de resistores reais.
1. Resistência elétrica: muito além de um número em ohms
Resistência elétrica é a relação entre tensão e corrente de um elemento quando seu comportamento pode ser aproximado como ôhmico:
A unidade é o ohm:
Um resistor é um componente projetado para fornecer determinada resistência dentro de limites especificados. Ele pode ser usado para:
- limitar corrente;
- dividir tensão;
- polarizar circuitos;
- dissipar energia como carga, bleeder ou pré-carga;
- transformar corrente em tensão para medição;
- amortecer oscilações;
- definir constantes de tempo com capacitores ou indutores.
O efeito Joule é a conversão de energia elétrica em energia térmica quando portadores de carga transferem energia à estrutura do material. Em um resistor passivo, a potência absorvida é não negativa quando tensão e corrente seguem a convenção passiva.
2. Por que resistores continuam essenciais em eletrônica de potência?
Em eletrônica de potência, parte da energia precisa ser deliberadamente controlada ou dissipada. Resistores realizam funções que uma chave ideal não realiza:
- limitam corrente de partida;
- descarregam capacitores após o desligamento;
- estabilizam estados lógicos;
- medem corrente por uma pequena queda de tensão;
- amortecem ressonâncias parasitas;
- formam cargas conhecidas para ensaios;
- equilibram tensões e correntes em redes específicas.
Entretanto, toda resistência percorrida por corrente produz perda. Às vezes essa dissipação é a função desejada, como numa carga de teste. Em outras situações é indesejada, como na resistência de um cabo, trilha, enrolamento ou chave em condução. A mesma física vale nos dois casos.
3. O que acontece fisicamente dentro de um resistor?
3.1 Movimento de cargas e colisões
Uma tensão cria um campo elétrico no material. Os portadores adquirem velocidade de deriva, mas interagem com a rede cristalina, impurezas e defeitos. A energia ordenada associada ao movimento elétrico é transferida para vibração microscópica do material. Macroscopicamente, observamos elevação de temperatura.
3.2 Geometria e material
Para um condutor uniforme em condições aproximadamente constantes:
Um caminho mais longo aumenta a resistência; uma seção transversal maior a reduz. A resistividade ρ depende do material e da temperatura.
3.3 Equilíbrio térmico
O resistor recebe potência elétrica e transfere calor ao ambiente por condução, convecção e radiação. A temperatura sobe até que a taxa de calor removida iguale a potência média dissipada. Se a remoção for insuficiente, a temperatura ultrapassa os limites do material, da cobertura, dos terminais, da solda ou da placa.
3.4 Por que pulsos exigem cuidado
Um pulso curto pode ter potência instantânea muito maior que a potência nominal contínua sem elevar imediatamente todo o corpo à temperatura de regime. Contudo, regiões resistivas internas podem sofrer alta densidade de energia. Por isso, potência média baixa não garante sobrevivência: a curva de sobrecarga pulsada, a tensão máxima e a energia de pulso do componente exato precisam ser respeitadas.
4. Lei de Ohm, efeito Joule e dissipação: a matemática fundamental
4.1 Variáveis e unidades
| Símbolo | Definição | Unidade | Significado físico |
|---|---|---|---|
| vR(t) | tensão instantânea no resistor | V | diferença de potencial aplicada |
| iR(t) | corrente instantânea no resistor | A | fluxo de carga elétrica |
| R | resistência | Ω | razão v/i no modelo ôhmico |
| ρ | resistividade | Ω·m | propriedade elétrica do material |
| ℓ | comprimento efetivo | m | extensão do caminho resistivo |
| A | área transversal | m² | seção disponível à corrente |
| pR(t) | potência instantânea absorvida | W | taxa instantânea de conversão em calor |
| PR | potência média dissipada | W | energia térmica média por segundo |
| Ep | energia de um pulso | J | integral de potência durante o pulso |
| Ta | temperatura ambiente | °C | temperatura do ar de referência |
| TR | temperatura do resistor | °C | temperatura do ponto definido no modelo |
| Rθ | resistência térmica | °C/W | elevação de temperatura por watt em regime |
| α | coeficiente de temperatura | 1/°C ou ppm/°C | variação relativa de R com temperatura |
| τR | tolerância relativa | adimensional ou % | desvio permitido do valor nominal |
| kD | fator de derating | adimensional | fração da potência nominal permitida |
4.2 Lei de Ohm
Para um resistor linear e aproximadamente constante:
Logo:
Hipóteses: comportamento ôhmico, temperatura suficientemente estável para considerar R constante, frequência baixa o bastante para negligenciar parasitas e ausência de dano.
4.3 Derivação da potência de Joule
Da Aula 001:
Substituindo vR=RiR :
Ou, substituindo iR=vR/R :
Essas expressões não são três leis diferentes. São a mesma potência escrita com pares distintos de grandezas.
4.4 Potência média sob forma de onda arbitrária
Em um período T :
Se R é constante:
Pela definição de RMS:
Analogamente:
O uso de Iavg²R só é válido se a corrente for constante. Para corrente pulsada, a corrente RMS é maior que o módulo da média e produz mais aquecimento.
4.5 Pulso retangular
Considere tensão Vpk durante ton=DT e zero durante o restante do período:
Essas relações descrevem a energia elétrica. A admissibilidade do pulso ainda depende da curva do fabricante.
4.6 Tolerância
Para valor nominal RN e tolerância τR :
Sob tensão fixa:
portanto a maior potência ocorre em Rmin . Sob corrente fixa:
e a maior potência ocorre em Rmax . O pior caso depende do tipo de excitação.
4.7 Coeficiente de temperatura
Perto da temperatura de referência T0 , um modelo linear é:
Se α é fornecido em ppm/°C:
Exemplo: 200 ppm/°C=200 × 10-6/°C=0,0002/°C .
Esse modelo é local. O datasheet pode impor faixa de temperatura e comportamento não linear.
4.8 Potência admissível e derating
Se PN é a potência nominal declarada sob condições de referência e a curva fornece kD :
O projeto deve satisfazer:
Além disso, devem ser verificados separadamente:
e os limites de pulso/energia. Um resistor de valor alto pode atingir seu limite de tensão antes do limite de potência; um resistor de valor baixo pode atingir o limite térmico primeiro.
4.9 Modelo térmico de primeira ordem
Em regime permanente:
Como aproximação de primeira ordem para um degrau de potência:
onde τθ=Rθ Cθ é a constante de tempo térmica e Cθ é a capacitância térmica em J/°C. Este modelo representa uma temperatura média; pontos internos podem estar mais quentes.
5. Onde os resistores aparecem em eletrônica de potência?
- Carga eletrônica ou banco resistivo: converte energia elétrica em calor controlado.
- Pré-carga: limita a corrente inicial de capacitores de barramento.
- Bleeder: descarrega capacitores após o desligamento.
- Shunt: produz tensão proporcional à corrente; exige baixa resistência, tolerância, TCR e conexão adequados.
- Snubber: dissipa energia de oscilações; potência de pulso e parasitas são críticos.
- Resistor de gate: controla corrente e velocidade de comutação; será estudado na Aula 026.
- Divisor de tensão: reduz uma tensão para medição, respeitando potência e tensão máxima de cada elemento.
- Enrolamentos, trilhas e cabos: suas resistências não são componentes desejados, mas geram perdas IRMS²R .
- Resistor de frenagem: absorve energia regenerativa em acionamentos.
6. Circuito fundamental para estudar dissipação
O circuito aplica 12 V DC a um resistor sob teste de 100 Ω . A fonte deve estar limitada a 150 mA. O resistor de 5 W dissipa 1,44 W; depois ele pode ser substituído, com a fonte desligada e o componente frio, por outro de 100 Ω /2 W para comparar a elevação térmica na mesma potência elétrica.
O circuito de medição é:
O limite eletrônico da fonte é a barreira contra corrente excessiva neste ensaio inicial. O amperímetro fica em série e o voltímetro em paralelo. Nunca conecte o amperímetro diretamente aos terminais da fonte.
7. O que acontece ao ligar e desligar o resistor?
Embora o ensaio principal seja DC, S1 cria dois estados úteis.
Estado 1 — chave ON
- caminho da corrente: V1 → S1 → A1 → RDUT → GND ;
- vR ≈ 12 V;
- iR ≈ 12/100=0,12 A;
- pR ≈ 12 × 0,12=1,44 W;
- energia elétrica é continuamente convertida em calor;
- a temperatura aumenta até o equilíbrio térmico.
Estado 2 — chave OFF
- a corrente é interrompida;
- iR=0 e pR=0 no modelo ideal;
- não há armazenamento elétrico no resistor ideal;
- o corpo continua quente e devolve energia térmica ao ambiente gradualmente.
Se S1 for comandada periodicamente como chave ideal, as mesmas relações formam um ensaio PWM. A implementação eletrônica da chave real ainda não faz parte desta aula.
8. Formas de onda: DC, PWM, potência instantânea e temperatura
Ensaio DC
Após fechar S1 :
- vR(t)salta idealmente de 0 para 12 V;
- iR(t)salta de 0 para aproximadamente 120 mA;
- pR(t)salta de 0 para aproximadamente 1,44 W;
- TR(t)sobe lentamente, sem acompanhar instantaneamente o degrau elétrico.
Ensaio PWM ideal de 1 kHz, D = 40%, R = 47 Ω
| Grandeza | Estado ON | Estado OFF | Valor relevante |
|---|---|---|---|
| vR(t) | 12 V | 0 V | VRMS = 12√0,4 ≈ 7,59 V |
| iR(t) | 255 mA | 0 | IRMS=161 mA |
| pR(t) | 3,064 W | 0 | Pavg=1,226 W |
| temperatura | quase não muda em um ciclo | quase não muda em um ciclo | responde à potência média em escala lenta |
Não existem VGS , VDS , IL , VL , VC ou corrente de diodo no modelo desta aula. O acionamento ainda é representado por chave ideal.
9. Exemplo completo: resistor de 47 Ω sob PWM de 12 V
Dados
Um resistor nominal de 47 Ω , tolerância de 5%, recebe PWM ideal de 0–12 V:
Calcular correntes, potências, energia por pulso, pior caso de tolerância e potência nominal preliminar usando limite de utilização contínua de 50% da potência nominal. Esse limite de 50% é um critério conservador do exercício, não substitui a curva do fabricante.
Hipóteses
- carga puramente resistiva;
- resistência constante durante cada cálculo;
- bordas ideais;
- regime periódico;
- fonte ideal de 12 V;
- análise de pulso do fabricante ainda deverá ser verificada;
- tensão máxima de trabalho deverá ser verificada no componente escolhido.
1. Período e tempo ON
2. Corrente nominal de pico
3. Corrente média e RMS
4. Potência de pico
5. Potência média por três caminhos
Pelo duty cycle:
Pela tensão RMS:
Pela corrente RMS:
Os três resultados concordam.
3. Energia por pulso
Como ocorrem 1000 pulsos por segundo:
4. Pior caso da tolerância sob tensão fixa
Sob tensão fixa, a maior potência ocorre em Rmin :
8. Seleção preliminar de potência
Com utilização contínua limitada a 50% da potência nominal:
Uma classe nominal de 3 W satisfaria apenas esse critério abstrato. A escolha preliminar de 5 W fornece maior margem para ambiente, montagem e incertezas. Ainda é obrigatório confirmar no datasheet:
- curva de derating na temperatura real;
- potência pulsada para 0,40 ms e 1 kHz;
- tensão máxima de trabalho maior que 12 V;
- tolerância, TCR e método de montagem.
9. Por que a corrente média daria resposta errada?
Esse valor é apenas 40% da dissipação correta de 1,226 W. O erro nasce ao elevar a média ao quadrado em vez de calcular a média do quadrado.
No exemplo de 47 Ω e 12 V, a potência média varia linearmente com o duty cycle:
O efeito da tolerância sob tensão fixa também pode ser visto diretamente:
10. Experimento comparativo: 100 Ω / 2 W versus 100 Ω / 5 W
Compare dois resistores de mesmo valor, 100 Ω , mas com potências nominais de 2 W e 5 W. Aplique 12 V DC a um por vez:
Os dois absorvem a mesma potência elétrica porque possuem o mesmo valor resistivo. Entretanto, podem atingir temperaturas de corpo diferentes devido ao tamanho, materiais e caminhos térmicos.
| Componente | Função | Por que é necessário | Parâmetros críticos | Exemplo de componente | Alternativas |
|---|---|---|---|---|---|
| Resistor de potência | Converter energia elétrica em calor controlado no ensaio | Criar carga conhecida para validar P = V²/R | resistência, tolerância, potência, curva de derating, tensão máxima, TCR, pulso, montagem e temperatura | resistor axial ou cimentado de 100 Ω/5 W com datasheet disponível | filme metálico para baixa potência; fio não indutivo quando parasitas forem críticos; associação série/paralelo devidamente calculada |
Não se fixa fabricante porque a peça real do laboratório deve ser identificada. Antes do uso, registre fabricante, série, código completo e revisão do datasheet. Não use a cor ou o tamanho do corpo como prova de potência admissível.
74HC14, TC4424 e IRF3205 não são usados: o fenômeno pode ser estudado com DC e chave manual. Inserir uma cadeia de gate drive agora anteciparia conceitos de semicondutores e esconderia o objetivo térmico.
Para visualizar a não linearidade da dissipação com a tensão, considere o resistor de 100 Ω do experimento:
11. Fluxo de dimensionamento de um resistor de potência
flowchart TD; A["Definir tensão ou corrente e forma de onda"] --> B["Calcular pico, RMS e potência média"]; B --> C["Aplicar tolerância no pior caso"]; C --> D["Comparar com potência útil após derating"]; D --> E["Verificar tensão máxima e curva de pulso"]; E --> F["Estimar temperatura e escolher montagem"]; F --> G["Validar em baixa tensão com limite de corrente"]; G --> H{"Medições dentro dos critérios?"}; H -->|Sim| I["Registrar projeto"]; H -->|Não| J["Redimensionar ou corrigir montagem"]; J --> B;12. Como dimensionar um resistor de potência passo a passo
Um método mínimo para selecionar um resistor de potência é:
12.1 Definir o esforço elétrico
Registre:
- forma de onda de tensão ou corrente;
- valor RMS;
- pico;
- duty cycle e frequência, se pulsado;
- duração de evento único;
- ambiente e tempo de operação.
12.2 Calcular potência e energia
Para pulso retangular:
12.3 Aplicar tolerâncias coerentemente
- fonte aproximadamente de tensão: use Rmin para maior corrente e potência;
- fonte aproximadamente de corrente: use Rmax para maior tensão e potência;
- se fonte, carga e resistor têm tolerâncias, combine os extremos que maximizam o esforço; uma análise estatística só deve substituir o pior caso quando o projeto justificar.
12.4 Aplicar derating e margem
Do componente candidato, obtenha kD na condição real:
Escolha uma margem de projeto explícita mP :
O valor de mP depende de confiabilidade, ventilação, incerteza e consequência da falha. Não existe uma margem universal.
12.5 Verificar tensão
Inclua sobretensões e divisão não uniforme em associações. Em resistores em série, tolerâncias e parasitas podem impedir divisão exatamente igual.
12.6 Verificar pulso
Localize no datasheet a curva correspondente a:
- pulso único ou repetitivo;
- duração tp ;
- período ou duty cycle;
- resistência do componente;
- temperatura inicial;
- número esperado de eventos.
Não extrapole uma curva para regiões não publicadas sem justificativa do fabricante.
12.7 Associação de resistores
Para n resistores idênticos em série:
Sob divisão ideal, cada um conduz a mesma corrente e dissipa I²R .
Para n resistores idênticos em paralelo:
Sob compartilhamento ideal, cada um conduz I/n . Tolerância e coeficiente térmico alteram o compartilhamento; em potência elevada, calcule cada ramo.
13. Modelo ideal versus resistor real
| Aspecto | Modelo ideal | Circuito real |
|---|---|---|
| Lei de Ohm | v = Ri com R constante | R depende de temperatura, material e às vezes tensão |
| Valor | exatamente nominal | varia dentro da tolerância e deriva ao longo da vida |
| Potência admissível | sem limite | limitada por temperatura, montagem e ambiente |
| Pulso | definido apenas por potência média | limitado por energia, pico, duração e região resistiva interna |
| Tensão máxima | ilimitada | limitada por geometria, material e revestimento |
| Temperatura | uniforme e instantânea | distribuição interna e constante de tempo térmica |
| Frequência | impedância igual a R | indutância e capacitância parasitas alteram a impedância |
| Terminais | resistência zero | resistência e indutância adicionais |
| Montagem | não interfere | placa, cobre, espaçamento e fluxo de ar mudam a dissipação |
| Falha | inexistente | circuito aberto, deriva, dano da cobertura, solda degradada ou carbonização |
14. Perdas resistivas no componente e no restante do circuito
No resistor de carga, a “perda” é a função intencional:
Outras perdas do ensaio incluem:
- cabos e contatos: Pcab=IRMS²Rcab ;
- resistência interna do amperímetro, que acrescenta burden voltage;
- resistência interna da fonte;
- chave manual e suas conexões.
Não há perdas de gate drive, diodo, capacitor, cobre de enrolamento ou núcleo. Não há perda de comutação se o ensaio é exclusivamente DC e a transição manual é desprezível na média.
Em conversores futuros, resistências pequenas poderão dominar a perda porque a corrente aparece ao quadrado. Dobrar a corrente quadruplica I²R se R não mudar.
15. Temperatura, resistência térmica e realimentação eletrotérmica
15.1 Regime permanente
O modelo mais simples é:
Sem um Rθ válido para a montagem real, a temperatura não pode ser deduzida apenas da potência escrita no corpo.
15.2 Realimentação eletrotérmica
Se R aumenta com a temperatura e a fonte é de corrente aproximadamente constante:
o aquecimento aumenta a resistência e a potência, criando realimentação positiva. Sob tensão aproximadamente constante:
o aumento de resistência reduz a potência, criando tendência de realimentação negativa. Isso é uma tendência local, não garantia de estabilidade ou segurança.
15.3 Medição de temperatura
- termopar: bom contato, mas seus fios podem conduzir calor;
- câmera ou termômetro infravermelho: depende de emissividade e tamanho do alvo;
- mudança de resistência: pode estimar temperatura média se o TCR for conhecido;
- toque manual: não é instrumento e pode causar queimadura.
Após desligar, aguarde resfriamento antes de alterar o circuito. Componentes de potência podem permanecer quentes por vários minutos.
flowchart LR; A["Potência elétrica"] --> B["Elemento resistivo"]; B --> C["Calor gerado"]; C --> D["Condução"]; C --> E["Convecção"]; C --> F["Radiação"]; D --> G["Ambiente"]; E --> G; F --> G;O modelo linear de coeficiente de temperatura pode ser visualizado usando o exemplo de 100 Ω e 200 ppm/°C:
16. Parasitas, frequência, EMI e layout
Um resistor real pode ser aproximado, em alta frequência, por resistência combinada com:
- indutância série dos terminais e do elemento resistivo;
- capacitância paralela entre partes do elemento;
- acoplamento térmico e elétrico com a placa.
Resistores bobinados podem apresentar indutância significativa. Isso é aceitável em uma carga DC, mas pode ser inadequado em shunts rápidos ou snubbers. Para essas funções, procure construção de baixa indutância e dados de frequência do fabricante.
Em PWM, o loop fonte → chave → resistor → retorno conduz corrente descontínua e possui alto di/dt nas bordas. Reduza sua área, mantenha fios curtos e faça o retorno de medição próximo ao terminal inferior do resistor. Um ground clip longo pode transformar a medição em antena.
O nó pulsado também possui alto dv/dt . Embora 12 V seja baixo, a mesma geometria em conversores futuros pode produzir acoplamento capacitivo, ringing e EMI.
17. Proteções e limites para o ensaio
Para o circuito didático:
- fonte isolada de bancada em 12 V;
- limite de corrente em 150 mA antes de fechar S1 ;
- resistor montado afastado de plástico, cabos e materiais inflamáveis;
- chave e cabos com corrente e tensão adequadas;
- proteção ocular durante ensaios de falha; não provocar falha deliberada nesta aula;
- critério didático de parada a 70 °C de temperatura superficial medida, ou no limite inferior definido pelo datasheet/laboratório; parar imediatamente também diante de odor, mudança de cor, fumaça, instabilidade ou corrente inesperada.
Resistor de gate, pull-down, Zener/TVS de gate, snubber, UVLO, dead time e proteção contra shoot-through não se aplicam ao circuito DC manual. Esses recursos serão introduzidos quando existirem semicondutores e nós chaveados reais.
18. Como medir resistência, tensão, corrente, potência e temperatura
18.1 Resistência
- Desligue e desconecte a fonte.
- Aguarde o resistor esfriar.
- Meça fora do circuito ou isole um terminal.
- Para valores baixos, a resistência dos cabos pode ser relevante; conexão de quatro fios será estudada quando shunts forem introduzidos.
Nunca use o ohmímetro em circuito energizado.
18.2 Tensão
- coloque o voltímetro em paralelo com RDUT ;
- inicie em faixa acima de 12 V DC;
- polaridade positiva no terminal superior;
- espere aproximadamente 12 V quando S1 estiver fechado.
18.3 Corrente
- abra o circuito e insira o amperímetro em série;
- comece em faixa acima de 120 mA;
- confirme o borne correto do instrumento;
- nunca coloque o amperímetro diretamente em paralelo com a fonte.
18.4 Osciloscópio
Para DC, uma ponta comum referenciada ao GND isolado é suficiente. Em PWM:
- ponta no terminal superior do resistor;
- ground clip no terminal inferior/GND;
- acoplamento DC;
- escala inicial de 5 V/div;
- base de tempo de 200 µ s/div para 1 kHz;
- observar Vpk , duty cycle e VRMS .
Uma ponta diferencial não é necessária neste circuito referenciado e isolado. Ela será necessária em nós flutuantes ou quando ambos os terminais estiverem afastados do terra seguro. Nunca conecte o ground clip a um nó energizado não isolado.
18.5 Temperatura
- fixe o sensor antes de energizar, quando possível;
- registre Ta ;
- registre temperatura a intervalos regulares;
- não assuma equilíbrio apenas porque passaram alguns segundos;
- pare o ensaio se a temperatura ultrapassar o limite definido pelo laboratório ou se houver sinais de dano.
18.6 Potência
Calcule a partir de grandezas medidas no próprio resistor:
em DC. Em PWM resistivo:
ou use a média da forma de onda vR(t)iR(t) . Um analisador de potência não é necessário para 1,44 W DC, mas poderia confirmar o balanço se sua faixa e incerteza forem adequadas.
flowchart TD; A["Fonte desligada"] --> B["Medir resistência fria"]; B --> C["Configurar tensão e limite de corrente"]; C --> D["Energizar o resistor"]; D --> E["Medir V, I e temperatura"]; E --> F["Calcular potência real"]; F --> G{"Dentro dos limites?"}; G -->|Sim| H["Registrar resultados"]; G -->|Não| I["Desligar e redimensionar"];19. Simulação SPICE sugerida
O caso PWM do exemplo pode ser simulado em LTspice, ngspice, PSpice ou QSPICE com elementos genéricos:
* Aula 003 - resistor sob PWM com varredura de tolerancia
.param RVAL=47
V1 in 0 PULSE(0 12 0 1u 1u 400u 1m)
R1 in 0 {RVAL}
.step param RVAL list 44.65 47 49.35
.tran 0 5m 0 1u
.meas tran V_RMS RMS V(in) FROM 1m TO 5m
.meas tran I_RMS RMS I(R1) FROM 1m TO 5m
.meas tran P_AVG AVG V(in)*I(R1) FROM 1m TO 5m
.meas tran P_PEAK MAX V(in)*I(R1) FROM 1m TO 5m
.end
Como a orientação de I(R1) depende da ordem dos nós no netlist, confirme o sinal de P_AVG. Se o simulador reportar potência negativa por convenção de corrente, use o módulo ou inverta a ordem dos terminais ao interpretar potência absorvida.
Resultados nominais esperados, desconsiderando a pequena contribuição das bordas:
- VRMS ≈ 7,59V;
- IRMS ≈ 161,5mA;
- PAVG ≈ 1,226W absorvido;
- PPEAK ≈ 3,064 W.
Nenhum modelo de fabricante é necessário. O netlist não simula temperatura nem capacidade de pulso do componente real; essas verificações permanecem ligadas ao datasheet e ao ensaio.
20. Experimento prático em 6 V, 9 V e 12 V
Objetivo
Relacionar tensão, corrente, potência e elevação de temperatura em dois resistores de mesmo valor, sem exceder 12 V DC.
Materiais
- fonte DC isolada de bancada, ajustável até 12 V, com limite de corrente;
- resistor de 100 Ω /5 W;
- resistor de 100 Ω /2 W;
- multímetro;
- termopar ou termômetro adequado;
- cronômetro;
- suporte não inflamável e cabos.
Procedimento seguro
- Identifique fabricante e série dos resistores; consulte seus datasheets.
- Com a fonte desligada, meça e registre a resistência fria.
- Monte o resistor de 5 W no circuito, livre no ar e afastado de materiais sensíveis.
- Ajuste a fonte para 6 V e limite de 150 mA antes de fechar a chave.
- Meça VR , IR e temperatura em 0, 1, 2, 3, 4 e 5 minutos, ou até a variação ficar pequena.
- Desligue, aguarde resfriamento e repita em 9 V e 12 V.
- Repita a sequência com o resistor de 2 W somente se seu datasheet e o limite térmico do laboratório permitirem.
- Interrompa ao atingir 70 °C de temperatura superficial medida, ou antes se o datasheet/laboratório impuser limite inferior; interrompa também ao primeiro sinal de odor, descoloração, fumaça ou deriva rápida.
- Não toque no resistor até confirmar que esfriou.
Valores ideais
| Tensão | Corrente em 100 Ω | Potência | Utilização de 2 W | Utilização de 5 W |
|---|---|---|---|---|
| 6 V | 60 mA | 0,36 W | 18% | 7,2% |
| 9 V | 90 mA | 0,81 W | 40,5% | 16,2% |
| 12 V | 120 mA | 1,44 W | 72% | 28,8% |
Tabela de registro
| Resistor | Tensão | R frio | Corrente | Potência medida | Ta | TR final | ΔT/P |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 100 Ω/5 W | 6 V | ||||||
| 100 Ω/5 W | 9 V | ||||||
| 100 Ω/5 W | 12 V | ||||||
| 100 Ω/2 W | 6 V | ||||||
| 100 Ω/2 W | 9 V | ||||||
| 100 Ω/2 W | 12 V |
O quociente Δ T/P é apenas uma estimativa experimental do caminho térmico nas condições do ensaio. Não o reutilize como propriedade universal.
21. O que pode dar errado?
| Sintoma | Causa provável | Efeito | Diagnóstico | Correção |
|---|---|---|---|---|
| Corrente muito maior que a calculada | valor resistivo errado, curto ou erro de ligação | superaquecimento e possível dano | desligar; medir resistência fora do circuito | corrigir componente e fiação; manter limite de corrente |
| Fonte entra em limite de corrente | resistor muito baixo ou curto | tensão cai e cálculo V²/R com 12 V deixa de valer | observar indicador CC e medir tensão real | remover falha; recalcular com valores medidos |
| Resistor aquece mais que o esperado | RMS incorreto, ventilação ruim ou potência útil superestimada | vida reduzida ou falha | medir forma de onda, potência e temperatura | aumentar potência nominal, melhorar montagem ou reduzir esforço |
| Dois resistores “de 5 W” aquecem diferente | tecnologias e condições térmicas diferentes | temperaturas de corpo distintas | comparar séries, dimensões e curvas | usar dados do componente exato |
| Potência calculada por VI não coincide com V²/R | resistência quente mudou, instrumentos perturbam ou dados não são simultâneos | balanço inconsistente | medir V , I e R nas condições corretas | usar leituras simultâneas e considerar TCR |
| Valor deriva depois do ensaio | sobretemperatura ou sobrecarga de pulso | erro funcional permanente | comparar resistência fria antes/depois | substituir e redimensionar |
| Temperatura por infravermelho parece baixa | emissividade configurada incorretamente ou alvo pequeno | falsa sensação de segurança | comparar com termopar e fita de emissividade conhecida, se permitida | corrigir método de medição |
| Resistor falha aberto | sobrecarga contínua ou pulso excessivo | circuito interrompido | inspeção desligada e ohmímetro | verificar curva de pulso, derating e tensão |
| Placa escurece, embora o resistor sobreviva | montagem transfere calor demais ao substrato | degradação de PCB e solda | inspecionar região e medir temperaturas | elevar o componente, distribuir dissipação ou usar montagem adequada |
22. Exercícios
Questões conceituais
- Por que um resistor transforma energia elétrica em calor mesmo quando a corrente alterna de sinal e possui média zero?
- Explique por que “resistor de 5 W” não significa “5 W em qualquer condição”.
- Sob tensão fixa, por que o menor valor dentro da tolerância é o pior caso de potência? E sob corrente fixa?
Exercícios de cálculo
- Um resistor de 220 Ω recebe 10 V DC. Calcule corrente, potência e energia dissipada em 3 minutos.
- Um resistor de 20 Ω recebe PWM 0–10 V, D=25% e 2 kHz. Calcule Ipk , IRMS , Ppk , Pavg , ton e energia por pulso.
- Um resistor nominal de 1 k Ω , tolerância de 1%, recebe 30 V DC. Calcule a faixa de resistência e a maior potência possível por tolerância. Determine se uma peça nominal de 1 W satisfaz um critério de utilização máxima de 60%, antes do derating térmico.
Problema de projeto
- Projete uma carga resistiva para dissipar aproximadamente 8 W com 24 V DC usando apenas resistores de 150 Ω /3 W, tolerância de 5%. Determine uma associação simples, calcule potência total nominal, potência por componente no caso nominal e no pior caso de tolerância coerente, corrente total e verificações de tensão/derating que ainda faltam.
Questão de diagnóstico
- Um resistor de 100 Ω /2 W ligado a 12 V mede apenas 9,5 V em seus terminais e 95 mA. A fonte mostra “CC”. O técnico calcula 1,44 W usando a tensão programada e conclui que os instrumentos estão errados. Diagnostique.
23. Respostas dos exercícios
1. Corrente média zero
O aquecimento depende de i²(t)R . O quadrado é positivo para correntes positivas e negativas. Portanto, uma corrente alternada simétrica pode ter Iavg=0 e IRMS>0 , produzindo potência média positiva.
2. Significado da potência nominal
A potência nominal depende das condições de ensaio e montagem. Temperatura ambiente, ventilação, terminais, placa e curva de derating determinam a potência útil. Pulsos e tensão máxima são limites separados.
3. Pior caso de tolerância
Em tensão fixa, P=V²/R : reduzir R aumenta potência, logo usa-se Rmin . Em corrente fixa, P=I²R : aumentar R aumenta potência, logo usa-se Rmax .
4. Resistor de 220 Ω
Para t=3 min=180 s :
5. PWM em 20 Ω
3. Tolerância de 1 k Ω
Sob 30 V fixos:
O critério de 60% permite apenas:
Portanto, 1 W não satisfaz o critério. A potência nominal requerida antes do derating é:
Uma classe de 2 W seria o próximo candidato, ainda sujeita a tensão máxima e derating.
4. Projeto da carga de 8 W
O valor equivalente desejado é:
Dois resistores de 150 Ω em paralelo fornecem:
Potência total nominal:
Potência elétrica nominal aplicada:
Cada resistor recebe 24 V e dissipa:
Isso excede 3 W. Portanto, dois em paralelo são eletricamente próximos de 8 W, mas termicamente inadequados.
Uma solução com quatro resistores é formar dois ramos, cada ramo com dois resistores de 150 Ω em série, e colocar os ramos em paralelo. Cada ramo vale 300 Ω e o equivalente continua 150 Ω , dissipando apenas 3,84 W no total — longe da meta. Para manter 75 Ω com mais capacidade, use quatro ramos idênticos de dois resistores em série: cada ramo vale 300 Ω e quatro ramos em paralelo resultam em 75 Ω . São oito resistores.
Cada resistor recebe aproximadamente 12 V:
No pior caso com todos em Rmin=142,5 Ω , o equivalente é:
Cada resistor dissipa:
Corrente nominal total:
Ainda faltam verificar curva de derating, tensão máxima de cada resistor, compartilhamento térmico, espaçamento e temperatura da montagem.
8. Fonte em corrente constante
As medições são coerentes:
A indicação “CC” mostra que a fonte limitou a corrente e reduziu a tensão de saída. Não se pode usar 12 V programados como tensão real. A causa provável é limite ajustado próximo de 95 mA. Ajuste o limite apenas se o circuito e o resistor puderem operar com segurança; caso contrário, mantenha-o e use os valores medidos.
O banco de carga de 75 Ω citado no exercício pode ser visualizado como quatro ramos em paralelo, cada um com dois resistores de 150 Ω em série:
24. Resumo técnico
- Lei de Ohm, para resistor linear: v=Ri .
- Potência instantânea: pR=vi=i²R=v²/R .
- Potência média em forma de onda arbitrária: PR=IRMS²R=VRMS²/R .
- Em PWM retangular: Pavg=DPpk e Ep=Ppkton .
- Sob tensão fixa, Rmin maximiza potência; sob corrente fixa, Rmax maximiza potência.
- Tolerância, TCR, potência nominal, tensão máxima e capacidade de pulso são especificações diferentes.
- Derating transforma potência nominal em potência admissível nas condições reais.
- Temperatura resulta do equilíbrio entre potência gerada e calor removido.
- Componentes de mesma resistência e potência nominal podem operar em temperaturas diferentes.
- Resistor quente pode permanecer perigoso mesmo depois de desligado.
25. Checklist de domínio
O estudante deve conseguir responder:
- Por quê? Por que corrente RMS, e não média, determina perda resistiva?
- Como? Como derivar i²R e v²/R de p=vi ?
- Onde? Onde resistores aparecem como carga, shunt, bleeder, pré-carga e amortecimento?
- Como calcular? Como obter potência contínua, potência de pico e energia por pulso?
- Como dimensionar? Como combinar tolerância, derating, tensão máxima, pulso e temperatura?
- Como medir? Como medir resistência desenergizada, tensão em paralelo, corrente em série e temperatura sem tocar?
- Como pode falhar? Como reconhecer sobrecarga, corrente limitada, deriva, montagem inadequada e erro de instrumento?
Antes de avançar, explique em voz alta por que um PWM de 0–12 V, 40%, sobre 47 Ω dissipa cerca de 1,226 W, embora Iavg²R resulte em apenas 0,490 W.
Referências
- Robert W. Erickson; Dragan Maksimović. Fundamentals of Power Electronics. 2nd ed. Kluwer Academic Publishers, 2001. Cap. 1, comparação entre realização dissipativa e chaveada; Cap. 3, modelagem de perdas; material sobre perda resistiva calculada com valor RMS; Cap. 15, RMS e perdas em formas de onda não senoidais.
- Ned Mohan; Tore M. Undeland; William P. Robbins. Power Electronics: Converters, Applications, and Design. 3rd ed. John Wiley & Sons, 2003. Cap. 1, eletrônica linear versus chaveada; Cap. 3, potência média, RMS e elementos resistivos; Cap. 29, fundamentos de transferência térmica e temperatura de componente.
- W. G. Hurley; W. H. Wölfle. Transformers and Inductors for Power Electronics: Theory, Design and Applications. Wiley, 2013. Seção 1.4.1, perdas no cobre; Seção 3.1.3, perda resistiva IRMS²R ; Seção 3.1.6, equação térmica; Eqs. 3.37–3.38, correção de resistência com temperatura.
- Datasheet oficial da série e do código completo do resistor efetivamente utilizado: consultar potência nominal, condições de montagem, curva de derating, tensão máxima, tolerância, TCR, limites de pulso e faixa de temperatura. Não transferir especificações entre séries apenas porque possuem o mesmo valor e tamanho aparente.
- Manual oficial da fonte, multímetro e sensor térmico usados: consultar limites, incerteza, modo de corrente constante e método de temperatura.
26. Preparação para a próxima aula: capacitor no domínio do tempo
A Aula 004 — Capacitor no domínio do tempo — introduzirá carga, corrente, energia, ESR e ripple. A resistência estudada aqui reaparecerá em três lugares:
- no resistor que limita a corrente de carga;
- na ESR real do capacitor, que dissipa IRMS²RESR ;
- no resistor de descarga, cujo valor define segurança, tempo e potência.
Leve para a próxima aula a ideia central: o resistor dissipa energia imediatamente segundo p=vi , enquanto o capacitor ideal armazenará energia no campo elétrico. Essa diferença separa elemento dissipativo de elemento armazenador.