Controle PWM de fita LED de 12 V com ESP32, TC4424, SN74HC14 e IRF3205
Aprenda a controlar uma fita LED de 12 V com ESP32, TC4424 e IRF3205, entendendo PWM, acionamento do gate, perdas, proteção, alimentação e o papel opcional do SN74HC14.
This translation is based on an older revision of the original article.
Como um pequeno sinal de 3,3 V consegue controlar uma fita LED de 12 V que consome vários amperes? A resposta reúne três ideias: um comando digital, um circuito que aciona o transistor e uma chave eletrônica por onde passa a energia da carga.
Nesta aula, construiremos um controlador de brilho para uma fita LED de cinco metros. O projeto utiliza ESP32, driver TC4424 e MOSFET IRF3205. Incluiremos o SN74HC14N para estudar o condicionamento de sinais e compararemos a montagem com uma versão simplificada, sem esse componente.
Você aprenderá a ler os parâmetros relevantes dos datasheets, dimensionar a alimentação, entender PWM, calcular perdas e realizar experiências de bancada. O objetivo não é apenas copiar ligações: é conseguir explicar por que cada componente está ali e reconhecer quando ele pode ser retirado ou precisa ser alterado.
Escopo e condição do projeto. Trata-se de um projeto didático calculado, ainda não validado fisicamente. Os gráficos são modelos teóricos, não capturas de osciloscópio. A carga considerada é uma fita de tensão constante, monocromática, não endereçável, de dois fios, com resistores internos. Usamos 14,4 W/m como exemplo, e não como identificação da sua fita. Alimentação: fonte regulada e isolada de 12 V; ESP32 por USB. Fitas RGB, endereçáveis e LEDs de potência sem limitação de corrente exigem adaptações.
1. O que você vai aprender e como organizar a prática
Ao final, você deverá conseguir separar sinal de controle e corrente de potência; explicar tensão, corrente, resistência e potência; relacionar frequência e duty cycle; explicar os terminais gate, drain e source; justificar o uso do driver; reconhecer a utilidade e os limites da histerese; calcular corrente da fonte, perdas e queda nos cabos; e conferir as formas de onda sem criar um curto com os instrumentos.
Etapa | Atividade | Tempo sugerido |
|---|---|---|
1 | Fundamentos e leitura do projeto | 25 min |
2 | PWM, MOSFET e gate driver | 30 min |
3 | SN74HC14N e leitura dos datasheets | 20 min |
4 | Montagem e verificações sem carga | 30 min |
5 | Experiências e medições | 45 min |
6 | Exercícios e revisão | 20 min |
Reserve aproximadamente 2 h 50 min, podendo dividir o trabalho em encontros. Para quem nunca utilizou multímetro ou soldador, a montagem pode levar mais tempo. Você consegue realizar os testes básicos com multímetro; o osciloscópio permite enxergar os fenômenos rápidos que o multímetro não mostra.
2. Antes do circuito: quatro grandezas essenciais
Tensão é uma diferença de potencial elétrico entre dois pontos. Sempre pergunte: “12 V entre quais pontos?”. Na fonte, são 12 V entre positivo e negativo. No MOSFET, a tensão de comando relevante é entre gate e source.
Corrente é a taxa de passagem de carga elétrica. Uma fita que consome 6 A exige um caminho capaz de transportar essa corrente sem aquecimento excessivo. O pino do ESP32 fornece um sinal; ele não alimenta a fita.
Resistência relaciona tensão e corrente em um elemento resistivo. Para um resistor ideal:
Potência expressa a rapidez com que a energia é transferida ou transformada. Em corrente contínua e regime estável:
Uma carga de 12 V e 6 A consome:
Isso significa uma transferência de 72 joules por segundo. Parte da energia vira luz e parte vira calor. Em um resistor, a dissipação pode ser calculada por:
Essas relações não permitem tratar qualquer componente como resistor fixo. LEDs são não lineares, e o MOSFET muda de comportamento conforme o comando e a temperatura. Usaremos modelos com hipóteses explícitas.
3. O que é eletrônica de potência neste projeto?
Eletrônica de potência é o uso de dispositivos eletrônicos para controlar o fluxo de energia elétrica. Aqui, o ESP32 decide quando a fita recebe energia, enquanto o MOSFET estabelece ou interrompe o caminho da corrente.
O desenho abaixo separa dois caminhos que coexistem: a informação de controle e a energia da carga. O TC4424 também recebe energia da fonte de 12 V para movimentar a carga elétrica do gate.
flowchart TB;
E["ESP32: comando PWM"] --> H["SN74HC14N: duas inversões"];
H --> T["TC4424: canal A, acionamento do gate"];
T --> Q["IRF3205: chave eletrônica"];
F["Fonte 12 V e fusível"] --> L["Fita LED"];
L -->|"Corrente da carga"| Q;
Q --> N["Negativo da fonte"];
F -->|"Energia para o gate"| T;Não há isolamento elétrico entre ESP32, driver e MOSFET nesta montagem: eles compartilham a referência GND. O driver aumenta a capacidade de acionamento; não cria uma barreira isolante.
4. Entendendo a fita LED de 12 V
Uma fita comum de tensão constante contém vários pequenos grupos em paralelo. Um exemplo frequente é um grupo de três LEDs em série com um resistor. Há outras construções; confira a sua fita antes de aplicar esse modelo.
Suponha, apenas para aprender, que cada LED apresente queda de 3 V e que o resistor seja de 150 Ω. A corrente desse grupo seria aproximadamente:
Esse exemplo explica o mecanismo, mas não determina a corrente da fita real. A queda dos LEDs varia com corrente e temperatura; o número de grupos e os resistores variam entre modelos.
O nosso circuito controla o tempo de alimentação. Ele não mede nem regula ativamente a corrente dos LEDs. A limitação de corrente depende da construção da fita e da tensão correta da fonte. Por isso, este projeto não deve ser aplicado diretamente a um LED de potência avulso sem um circuito apropriado de corrente constante.
5. PWM: controlar o tempo para controlar a energia
PWM significa modulação por largura de pulso. A chave recebe um comando periódico que alterna entre ligado e desligado.
O período, representado por T, é o tempo de um ciclo completo. A frequência, f, informa quantos ciclos acontecem por segundo:
Para 2 kHz:
O símbolo µ significa “micro”, um milionésimo. Portanto, 500 µs equivalem a meio milissegundo.
O duty cycle, D, é a fração do período em que o comando está ligado:
Duty cycle | Tempo ligado em 2 kHz | Tempo desligado |
|---|---|---|
0% | 0 µs | 500 µs |
25% | 125 µs | 375 µs |
50% | 250 µs | 250 µs |
75% | 375 µs | 125 µs |
100% | 500 µs | 0 µs |
Gráfico 1 — Modelo ideal: a amplitude permanece em 12 V; muda a largura dos pulsos. Os tempos de comutação foram omitidos.
Se a corrente durante o pulso for aproximadamente 6 A e o período desligado apresentar corrente desprezível:
Em 50%, isso fornece aproximadamente 3 A e 36 W. A corrente durante os pulsos continua próxima de 6 A. Uma fonte menor não se torna automaticamente adequada porque você pretende trabalhar com brilho reduzido: há demanda pulsada, transientes e a possibilidade de comando em 100%.
A tensão média ideal é 6 V em 50%, mas a fita está recebendo pulsos de 12 V. Aplicar 6 V contínuos pode produzir um resultado totalmente diferente, inclusive não acender os grupos de LEDs.
O brilho percebido também não é rigorosamente proporcional ao duty cycle. A visão humana e a resposta térmica da fita influenciam a percepção. Primeiro estudaremos a relação elétrica; correção perceptual pode ser uma extensão posterior.
6. Por que começar em 2 kHz?
2 kHz é uma escolha inicial para a bancada: o período é fácil de observar no osciloscópio e as perdas de comutação tendem a ser menores do que em frequências muito mais altas, mantidas as demais condições.
Essa frequência não garante ausência de faixas em câmeras nem de ruído audível em todos os conjuntos. Para comparar, o programa também permite 20 kHz. Nesse caso:
Em 50%, o pulso dura 25 µs. Aumentar a frequência significa ligar e desligar o transistor mais vezes por segundo, exigindo mais do acionamento e tornando o layout ainda mais importante. Frequência maior não significa automaticamente brilho maior.
7. IRF3205: a chave por onde passa a corrente
O IRF3205 é um MOSFET de potência de canal N. Seus terminais são gate, comando; drain, conectado à carga; e source, conectado ao negativo neste projeto. A tensão decisiva é:
Como o source está próximo de 0 V, aplicar cerca de 12 V ao gate produz aproximadamente 12 V entre gate e source. Com o gate em 0 V, o transistor é comandado para desligar.
Esse arranjo é chamado de chaveamento pelo lado baixo, ou low-side: a chave fica entre a carga e o negativo da fonte. Isso permite referenciar o acionamento diretamente ao source/GND e manter o comando em 100% por tempo indefinido, respeitados os limites térmicos e elétricos.
O datasheet informa 55 V de limite drain-source, limite absoluto de ±20 V entre gate e source e resistência máxima de 8 mΩ nas condições de ensaio de 10 V no gate, 62 A e junção a 25 °C. O limiar de 2 a 4 V é medido com apenas 250 µA. Esses valores têm finalidades diferentes. Infineon, IRF3205PbF, tabelas de limites e características estáticas.
Por que não usar diretamente 3,3 V no gate? Porque o início de condução não garante baixa resistência na corrente da fita. O transistor pode ficar parcialmente acionado, apresentar queda de tensão maior e aquecer. O projeto usa o TC4424 alimentado com 12 V para obter um acionamento adequado.
Imagine uma torneira: o limiar indica o começo da abertura, não uma passagem já livre. A analogia ajuda a visualizar, mas o parâmetro que precisamos consultar para a chave ligada é a resistência de condução sob condições definidas.
O número de 110 A na folha de dados pressupõe condições térmicas específicas, incluindo temperatura de case controlada; a própria documentação informa limitação do encapsulamento de 75 A. Nenhum desses números autoriza transportar essa corrente em fios finos ou em uma protoboard. Neste artigo, a corrente-alvo é 6 A.
Em eletrônica de potência, evitamos permanecer longamente na transição em que tensão e corrente são simultaneamente altas. O estado de baixa resistência é a região ôhmica do MOSFET; não se deve transportar automaticamente para ele a terminologia de “saturação” usada para uma chave BJT.
8. TC4424: por que o gate precisa de um driver?
O gate é isolado e demanda pouca corrente contínua idealmente, mas apresenta capacitâncias. Para alterar sua tensão, é necessário mover carga elétrica. Um driver funciona como um carregador e descarregador rápido dessa entrada.
O TC4424 contém dois drivers não inversores independentes: entrada alta produz saída alta no canal correspondente. Ele admite alimentação de 4,5 a 18 V e reconhece entrada alta a partir de 2,4 V e baixa até 0,8 V. Cada saída fornece e absorve picos de corrente; os 3 A de pico por canal são especificados com VDD de 18 V, não como corrente contínua nem como valor garantido a 12 V. Microchip, TC4423/TC4424/TC4425, características elétricas e seção 3.2.
Neste projeto, usamos somente o canal A: entrada no pino 2 e saída no pino 7. O canal B fica sem carga, com sua entrada em GND. A corrente de 6 A do exemplo circula pela fita e pelo IRF3205; não atravessa a saída do driver. Portanto, um driver de 3 A de pico pode acionar o MOSFET que controla essa carga: são correntes de ramos diferentes.
A energia que ele envia ao gate vem da própria alimentação de 12 V. O ESP32 só precisa comandar a entrada. Assim, um sinal de 3,3 V controla uma saída que alterna aproximadamente entre 0 e 12 V.
A relação básica entre carga, corrente e tempo é:
Se movimentássemos 150 nC em 300 ns, a corrente média durante essa movimentação seria:
Os 150 nC são uma hipótese arredondada de cálculo. A folha do IRF3205 apresenta 146 nC como valor máximo de carga total, medido com corrente de drain de 62 A, tensão drain-source de 44 V e tensão gate-source de 10 V, condições diferentes das deste circuito. Não use o resultado acima como previsão exata do tempo de comutação.
A carga de gate depende das tensões e do ponto de operação. Durante a transição drain-source, pode aparecer o chamado platô de Miller, um trecho em que a tensão do gate muda pouco enquanto carga continua sendo transferida. Por isso, representar todo o gate como um capacitor fixo fornece apenas uma aproximação. Texas Instruments, Fundamentals of MOSFET and IGBT Gate Driver Circuits, seções 2 e 3.
9. SN74HC14N: uma etapa didática, não uma obrigação
O SN74HC14N contém seis inversores com entrada Schmitt-trigger. Neste projeto, usamos dois em série e alimentamos o CI com 3,3 V. A faixa recomendada é de 2 a 6 V. Texas Instruments, SN74HC14, condições recomendadas e pinagem.
Um inversor transforma zero em um e um em zero. Com duas portas:
GPIO | Saída da primeira porta | Saída da segunda porta | Fita |
|---|---|---|---|
0 | 1 | 0 | Desligada |
1 | 0 | 1 | Ligada |
A dupla inversão preserva a polaridade lógica, acrescentando um pequeno atraso. As portas regeneram o sinal dentro dos níveis da alimentação de 3,3 V; não elevam a saída a 12 V nem substituem a capacidade de acionamento do TC4424.
O que é histerese? Um termostato pode ligar o aquecimento em uma temperatura e desligá-lo em outra. A diferença evita que ele fique alternando rapidamente perto de um único ponto. Uma entrada Schmitt faz algo semelhante com tensão: possui um limiar para a entrada que sobe e outro para a entrada que desce.
Essa separação reduz comutações indesejadas diante de pequenas oscilações. Ela não bloqueia ruídos de qualquer amplitude e não substitui isolamento, proteção de entrada ou uma interface própria para cabos longos. Texas Instruments, Understanding Schmitt Triggers.
Para este modelo ilustrativo, usamos uma rampa triangular de 0 a 3,3 V em 10 ms, com ruído senoidal de amplitude 0,18 V e frequência de 4 kHz, limitado à faixa de alimentação. A comparação sem histerese usa limiar de 1,6 V. Esses valores definem apenas o gráfico didático.
Gráfico 2 — Modelo ilustrativo, com limiares escolhidos de 2,0 V e 1,2 V, não especificações garantidas do SN74HC14N a 3,3 V. O traço final representa duas inversões, preservando a lógica original. A comparação sem histerese usa um comparador ideal com limiar único.
No datasheet, não há uma tabela que permita copiar diretamente limiares garantidos exatamente para 3,3 V a partir de uma linha de 4,5 V. Os limiares do gráfico servem para explicar o comportamento; meça o componente real na experiência proposta adiante.
Quando usar? Para estudar histerese, regenerar níveis lógicos ou condicionar uma rede RC antes de outra etapa. Quando dispensar? Quando o GPIO do ESP32 entrega PWM limpo por uma ligação curta ao TC4424.
O próprio TC4424 já tem histerese interna de aproximadamente 300 mV, descrita pelo fabricante, e admite entradas com subida e descida lentas. Assim, uma transição lenta, por si só, não torna o SN74HC14N obrigatório neste circuito. Mantemos U1 como recurso didático; seus limiares e os do driver são diferentes. O comparador sem histerese do gráfico 2 é um modelo ideal, não uma representação da entrada do TC4424. Microchip, seção 3.1.
10. Fonte: dimensionamento para cinco metros
Para a fita do exemplo:
Adotando margem de projeto de 25% sobre a corrente da fita:
Uma fonte regulada de 12 V/10 A oferece margem neste exemplo. A margem de 25% é uma escolha de engenharia para o exercício, não uma regra universal. Consulte temperatura, ventilação e redução de capacidade da fonte escolhida. O ESP32 será alimentado separadamente por USB.
Potência por metro | Potência em 5 m | Corrente a 12 V | Fonte ilustrativa |
|---|---|---|---|
4,8 W/m | 24 W | 2 A | 12 V/3 A |
9,6 W/m | 48 W | 4 A | 12 V/5 A |
14,4 W/m | 72 W | 6 A | 12 V/10 A |
19,2 W/m | 96 W | 8 A | 12 V/10 A, conferir condições térmicas |
Uma fonte de 10 A não “empurra” obrigatoriamente 10 A na fita. Essa é sua capacidade de fornecimento; o consumo depende da carga e da tensão. Em um curto, entretanto, a energia disponível pode aquecer os condutores rapidamente.
F1 será um fusível de 7,5 A, próprio para corrente contínua e com tensão nominal de pelo menos 32 V, no exemplo de 6 A. Sua curva tempo-corrente, a corrente de partida e a capacidade dos cabos devem ser verificadas. Ele protege principalmente o caminho de alimentação e não substitui uma proteção eletrônica rápida do MOSFET. Instale-o próximo ao positivo da fonte.
11. Resistores: cada um resolve um problema diferente
Referência | Valor inicial | Localização | Objetivo |
|---|---|---|---|
R1 | 330 Ω | GPIO → entrada U1A | Limitar correntes transitórias e amortecer a ligação curta de sinal |
R2 | 10 kΩ | Entrada U1A → GND | Definir comando baixo quando o GPIO fica em alta impedância |
R3 | 100 kΩ | Entrada A do TC4424, pino 2 → GND | Evitar entrada sem referência quando desconectada |
R4 | 22 Ω | Saída A do TC4424, pino 7 → gate | Controlar a velocidade do gate e reduzir oscilações |
R5 | 10 kΩ | Gate → source | Oferecer caminho de descarga e referência para o gate |
R1 e R2 formam um pequeno divisor quando o GPIO está alto. Desprezando a corrente de entrada:
O sinal não fica exatamente em 3,3 V, mas continua próximo da alimentação lógica. Isso ilustra por que qualquer resistor de pull-down deve ser analisado com a resistência de saída e os componentes em série.
No gate, R4 limita o pico de corrente e modifica a transição. Ignorando as demais resistências, um limite simplificado seria:
Na prática, a resistência interna do driver, a resistência interna do gate e a tensão instantânea do gate reduzem esse valor. Não é uma corrente constante durante todo o pulso. O limite simplificado de 0,55 A permite manter R4 de 22 Ω como valor inicial nesta adaptação; os 3 A de pico do TC4424 não são uma corrente que ele impõe ao gate. Os tempos reais devem ser medidos com o novo driver.
R5 dissipa pouco quando o gate fica em 12 V:
Resistores de 1/4 W atendem às estimativas de potência média deste projeto. Para R4, prefira um componente não indutivo e com capacidade de pulso apropriada. O resistor de 10 kΩ é um apoio de descarga; quem desliga rapidamente o MOSFET durante o PWM é a saída ativa do TC4424.
12. Capacitores: por que colocar vários valores?
O capacitor armazena carga e responde a variações de tensão. Se uma corrente aproximadamente constante for retirada de um capacitor durante um intervalo curto:
Usando a hipótese de 150 nC movimentados no gate e um capacitor ideal de 1 µF:
O capacitor próximo do driver fornece parte do pulso de corrente sem depender imediatamente de um fio longo até a fonte. A seção 3.3 do datasheet exige desacoplamento cerâmico local; a figura 4-2 mostra 0,1 µF e 1 µF no circuito de teste. Neste projeto, escolhemos 100 nF e 1 µF cerâmicos, acompanhados de 10 µF, entre o pino 6 (VDD) e o pino 3 (GND). TC4423/TC4424/TC4425, alimentação e circuito de teste.
Referência | Valor | Ligação | Finalidade |
|---|---|---|---|
C1 | 470 µF/25 V, eletrolítico | +12V_F → GND | Reserva local para transientes da alimentação |
C2 | 100 nF, cerâmico, ≥10 V | U1: pino 14 → pino 7 | Desacoplamento do SN74HC14N |
C3 | 100 nF/25 V, cerâmico | U2: pino 6 (VDD) → pino 3 (GND) | Desacoplamento rápido |
C4 | 1 µF/25 V, cerâmico | U2: pino 6 (VDD) → pino 3 (GND) | Reserva local para o gate driver |
C5 | 10 µF/25 V | U2: pino 6 (VDD) → pino 3 (GND) | Apoio à alimentação local |
C6 | 100 nF/25 V, cerâmico | +12V_F → GND, junto a C1/conector | Apoio em alta frequência no estágio de potência |
O valor em microfarads não conta toda a história. Capacitores reais têm resistência e indutância parasitas; cerâmicos podem perder capacitância com tensão aplicada. A distância física também importa. Use C3 e C4 a poucos milímetros dos terminais de alimentação do driver, com retorno curto.
C1 não sustenta sozinho os 6 A durante meio período em 2 kHz. Se tentasse fornecer 6 A durante 250 µs:
O resultado mostra que a fonte e os fios continuam essenciais. Os 470 µF são um ponto de partida para desacoplamento, não um dimensionamento universal do ripple. A corrente RMS admissível do capacitor também deve ser compatível com o circuito real.
13. Diodo D1: a fita não é uma bobina, mas os fios têm indutância
Quando a corrente muda rapidamente, uma indutância produz tensão:
Aqui, “di/dt” representa a rapidez de variação da corrente. Quanto mais rapidamente interrompemos a corrente de um caminho indutivo, maior pode ser a tensão gerada.
Como ilustração, 1 µH com uma variação de 6 A em 0,2 µs corresponde a um módulo de:
Não é a previsão de um pico de 30 V na sua placa: capacitâncias, diodo, resistência e layout alteram a forma de onda. A conta evidencia o problema.
D1 fornece um caminho transitório do drain para o barramento positivo quando o drain tenta ultrapassá-lo pela queda direta do diodo. Usaremos STPS10L60D, Schottky de 60 V e classe de 10 A, na versão TO-220AC. A corrente nominal contínua depende de condições térmicas especificadas. STMicroelectronics, STPS10L60, tabelas 1 a 3 e encapsulamento.
Conecte ânodo ao drain e cátodo a +12V_F. Confira a identificação A/K no datasheet do componente adquirido. Coloque-o na placa, próximo ao conector da fita, com laço curto.
Ele limita uma condição de sobretensão relacionada ao caminho da carga. Não protege contra inversão da fonte, não garante limitação de todos os picos locais e não substitui a verificação de VDS no osciloscópio. A montagem pressupõe fonte regulada de bancada; não deve ser conectada diretamente a um barramento automotivo sujeito a transientes.
14. Esquema completo, dividido para facilitar a leitura
Os três desenhos seguintes formam um único circuito. Nomes iguais indicam ligações elétricas comuns: GND, +12V_F, PWM_IN e DRV_OUT.
14.1 Estágio de potência
O positivo da fita recebe +12V_F, isto é, 12 V depois do fusível. O negativo vai ao drain. O source fecha o caminho até o negativo da fonte. O resistor de gate e seu pull-down ficam próximos do transistor.
No TO-220 do IRF3205, olhando a face escrita com terminais para baixo: 1 = gate; 2 = drain; 3 = source. A aba metálica é drain. Um dissipador metálico pode, portanto, ficar eletricamente ligado à carga; se ele compartilhar estrutura aterrada ou outros dispositivos, a montagem exige isolamento adequado.
14.2 Driver e desacoplamento
O desenho usa o TC4424 em PDIP de 8 pinos, visto por cima ao consultar a pinagem. O esquema é funcional: a posição dos fios no retângulo não reproduz a posição física das pernas. Localize o entalhe: com ele para cima, os pinos da esquerda descem de 1 a 4 e os da direita sobem de 5 a 8. Confira o código completo e o encapsulamento antes de montar; esta numeração não vale para o SOIC de 16 pinos.
Alimente o pino 6 com +12V_F e ligue o pino 3 ao GND comum. Nunca interligue os pinos 6 e 7: o primeiro é alimentação e o segundo é saída. Ligue o pino 4 (IN B) ao GND e deixe o pino 5 (OUT B) livre. Os pinos 1 e 8 são NC e ficam livres. Não una as saídas A e B nesta montagem. Microchip, tabela 3-1; entradas não utilizadas: nota do diagrama funcional, página 2.
14.3 Condicionamento com SN74HC14N
As portas U1A e U1B pertencem ao mesmo encapsulamento. O fio entre a saída 2 e a entrada 3 é externo. As quatro entradas não utilizadas ficam em GND; suas saídas ficam livres.
Componente | Pinos | Conectar a |
|---|---|---|
SN74HC14N | 14 / 7 | 3,3 V / GND |
SN74HC14N | 1 | R1 e R2 |
SN74HC14N | 2 → 3 | Interligação entre portas |
SN74HC14N | 4 | PWM_IN |
SN74HC14N | 5, 9, 11, 13 | GND |
SN74HC14N | 6, 8, 10, 12 | Sem conexão |
TC4424, PDIP-8 | 1 e 8 — NC | Sem conexão |
TC4424, PDIP-8 | 2 — IN A | PWM_IN e R3 |
TC4424, PDIP-8 | 3 — GND | GND comum, retorno curto ao source |
TC4424, PDIP-8 | 4 — IN B | GND; canal B não utilizado |
TC4424, PDIP-8 | 5 — OUT B | Sem conexão |
TC4424, PDIP-8 | 6 — VDD | +12V_F; C3, C4 e C5 entre 6 e 3 |
TC4424, PDIP-8 | 7 — OUT A | DRV_OUT → R4 de 22 Ω → gate |
Pinagens conferidas nas seções correspondentes dos datasheets da Texas Instruments e da Microchip. A numeração dos DIPs é vista por cima e segue o entalhe/marca do pino 1.
14.4 Versão simplificada, sem SN74HC14N
Para essa versão, retire U1, C2 e o conjunto R1/R2 da montagem anterior. Ligue GPIO → resistor de 330 Ω → PWM_IN (pino 2 do TC4424). Substitua R3 de 100 kΩ por 10 kΩ. Mantenha o restante do circuito.
Há somente um resistor de 330 Ω em série e um de 10 kΩ para GND na nova entrada. Não conecte ao mesmo tempo o GPIO e a saída do SN74HC14N ao PWM_IN, pois duas saídas podem entrar em conflito.
Essa alternativa é adequada ao PWM limpo em conexões curtas. O circuito com U1 continua sendo a montagem didática principal para as experiências de histerese.
15. Quanto o MOSFET aquece? Média e RMS não são iguais
O MOSFET ligado apresenta resistência. Uma primeira estimativa de perda por condução é:
Com 6 A, 8 mΩ e 100%:
Em 50%:
Por que não usar simplesmente 3 A na fórmula I²R? Porque 3 A é a corrente média, enquanto a corrente instantânea alterna entre aproximadamente 0 e 6 A. Para calcular aquecimento resistivo, utilizamos corrente RMS, ou valor eficaz:
Em 50%:
Gráfico 3 — Modelo de pulsos retangulares de 6 A no caminho da fita/MOSFET. A corrente nos terminais da fonte pode ter outra forma devido aos capacitores.
A resistência de 8 mΩ é uma referência sob condições de datasheet, não um valor fixo em todas as temperaturas. Usar 16 mΩ como cenário de sensibilidade dobra a perda calculada; esse fator dois é uma hipótese para comparação, não a afirmação de uma temperatura específica do componente.
Uma estimativa térmica simples, sem dissipador, usa:
A referência de 62 °C/W do datasheet dá aproximadamente 18 °C de elevação para 0,288 W. Isso não certifica a temperatura real: montagem, ventilação, perdas adicionais e aumento de resistência alteram o resultado. Meça a temperatura e avalie dissipador se necessário. Temperatura da superfície e temperatura da junção não são iguais.
16. Perdas de comutação e consumo do gate
Durante ligar e desligar, pode haver tensão e corrente simultaneamente no transistor. A definição geral de potência instantânea é:
A energia perdida em uma transição corresponde à área sob essa curva:
Uma aproximação de primeira ordem, útil para perceber a influência da frequência, é:
Aqui, tr e tf representam tempos efetivos de sobreposição do modelo, não simplesmente tempos de subida do GPIO. Essa aproximação é comum para estimativas de chaveamento; a fita com resistores e LEDs não apresenta necessariamente a sobreposição assumida. Ela não substitui a integral das formas de onda reais nem inclui todas as energias parasitas.
Adotando hipoteticamente tr + tf = 0,4 µs:
Gráfico 4 — Estimativas para duty de 50%, 6 A durante o pulso e sobreposição total hipotética de 0,4 µs. As curvas com 8 e 16 mΩ são cenários de resistência. Não representam ensaio do IRF3205.
Em 0% ou 100% estáveis não há duas transições por período; não aplique automaticamente a fórmula de chaveamento nesses extremos. Em pulsos muito curtos, a hipótese de completar as transições também pode falhar.
Para o consumo dinâmico associado à carga de gate, considere a corrente média retirada da alimentação do driver para carregar o gate a cada ciclo:
Com 150 nC, 12 V e 2 kHz, obtemos aproximadamente 0,3 mA e 3,6 mW. Em 20 kHz, 3 mA e 36 mW. Os picos durante as bordas são muito maiores do que essas médias. No próprio terminal gate, a corrente muda de sentido entre carga e descarga; sua média algébrica ideal em um ciclo completo é zero.
Essa energia é dissipada no circuito de acionamento e resistências do gate; não deve ser somada integralmente como calor na junção do MOSFET. O consumo total do driver ainda inclui sua corrente interna e a corrente em R5. Como apenas o canal A comuta, não multiplique Qg·V·f por dois só porque o CI contém dois canais. O canal B, mesmo sem carga, faz parte do consumo interno do encapsulamento; as linhas de corrente quiescente do datasheet indicam as condições de ambas as entradas. As relações de carga, acionamento e perdas são discutidas na nota de aplicação de gate drivers da Texas Instruments.
17. Fios, conectores e retorno de corrente
Um fio possui resistência. Para um par de alimentação, considere a ida e a volta:
Usando cobre a aproximadamente 20 °C, com resistividade aproximada de 0,0175 Ω·mm²/m, distância de ida de 2 m e seção de 1,5 mm²:
Em 6 A contínuos:
O exemplo trata de queda resistiva, não de certificação de capacidade térmica. Isolação, agrupamento, temperatura e conectores também entram no dimensionamento. Para o exemplo de 6 A e ligações curtas, 1,5 mm² é um ponto de partida a conferir nessas condições.
O caminho principal deve ser fonte positiva → fusível → fita → MOSFET → fonte negativa. O GND do ESP32 chega à referência próxima do source por uma ligação separada do trecho que transporta a corrente da fita. O driver precisa de retorno ainda mais curto ao source, para que a tensão de comando não seja alterada pelo retorno de potência.
Não use protoboard e jumpers Dupont para os 6 A. A lógica pode ser ensaiada em protoboard com a potência desligada; o conjunto driver/gate/MOSFET precisa de montagem compacta e soldada para avaliar comutação adequadamente.
Se houver queda de brilho ao longo da fita, pode ser necessário alimentar as duas extremidades. Os dois positivos vão a +12V_F e os dois negativos ao drain. Ligar um dos negativos diretamente ao GND contorna a chave e impede o controle. Cada ramal precisa de condutores e proteção compatíveis. Não mantenha os cinco metros enrolados durante ensaios de potência.
18. Lista de materiais e instrumentos
Item | Quantidade | Especificação para o exemplo |
|---|---|---|
Placa ESP32 | 1 | Alimentada por USB; GPIO de saída livre |
U1 | 1 | SN74HC14N, PDIP-14 |
U2 | 1 | TC4424, PDIP-8, duplo não inversor; usar canal A |
Q1 | 1 | IRF3205, TO-220 |
D1 | 1 | STPS10L60D, TO-220AC |
R1 / R4 | 1 de cada | 330 Ω / 22 Ω, 1/4 W |
R2 / R5 | 2 | 10 kΩ, 1/4 W |
R3 | 1 | 100 kΩ, 1/4 W |
C1 | 1 | 470 µF/25 V, corrente de ripple compatível |
C2 / C3 / C6 | 3 | 100 nF cerâmicos; usar 25 V em todos simplifica |
C4 | 1 | 1 µF/25 V cerâmico, preferencialmente X7R |
C5 | 1 | 10 µF/25 V |
Fonte | 1 | 12 V/10 A regulada, isolada, com proteção contra curto |
F1 e porta-fusível | 1 conjunto | 7,5 A DC para o exemplo, conferir curva e cabos |
Fita | 5 m | 12 V, dois fios, potência conhecida |
Conexões | Conforme montagem | Bornes e fios dimensionados; placa soldada |
Instrumentos | Conforme disponibilidade | Multímetro; osciloscópio recomendado; medição de temperatura |
Experiência Schmitt | 1 conjunto | Resistor de 10 kΩ e capacitor de 100 nF extras |
Não foram incluídos preços, pois variam conforme fornecedor. Confirme procedência e código completo dos semicondutores. Sufixos podem alterar encapsulamento e faixa térmica.
19. Programa do ESP32: variar o brilho com controle
O firmware usa Arduino-ESP32 3.x, periférico LEDC, 10 bits e frequência inicial de 2 kHz. Não é um projeto nativo ESP-IDF. As chamadas de configuração, duty e frequência seguem a documentação oficial LEDC da Espressif.
Com 10 bits, o comando numérico vai de 0 a 1023:
B é o percentual solicitado. Em 50%, usamos aproximadamente 512. A biblioteca trata o extremo de escala como o comando de ligado contínuo conforme sua implementação.
O código seleciona GPIO 23 para ESP32 clássico e GPIO 18 como exemplo para a ESP32-C6-DevKitC-1. Confirme que esse terminal está exposto e livre na sua placa, sem conflito com periféricos. No C6, o GPIO 4 também é MTMS e participa da configuração de strapping lida durante o reset; por isso, adotamos GPIO 18, disponível no conector J3 dessa DevKitC-1, sem essa função de strapping. A indicação não se aplica automaticamente a toda placa C6. Consulte o guia oficial da ESP32-C6-DevKitC-1, pinagem dos conectores e notas de strapping. Para outros modelos, o código exige que você defina um GPIO apropriado.
#include <Arduino.h>
#include <stdlib.h>
#include <string.h>
// Arduino-ESP32 3.x. Confirme a pinagem da sua placa antes de ligar.
#if CONFIG_IDF_TARGET_ESP32
constexpr uint8_t PINO_PWM = 23; // ESP32 clássico
#elif CONFIG_IDF_TARGET_ESP32C6
constexpr uint8_t PINO_PWM = 18; // ESP32-C6-DevKitC-1; confirmar na sua placa
#else
#error "Defina um GPIO de saída livre para o modelo de ESP32 utilizado."
#endif
constexpr uint8_t RESOLUCAO = 10;
constexpr uint32_t DUTY_MAX = (1UL << RESOLUCAO) - 1;
uint32_t frequencia = 2000;
uint8_t brilho = 0;
bool pwmPronto = false;
char linha[32];
size_t usados = 0;
bool linhaLonga = false;
bool aplicarBrilho(uint8_t valor) {
if (!pwmPronto) return false;
const uint32_t duty = (DUTY_MAX * valor + 50) / 100;
if (!ledcWrite(PINO_PWM, duty)) {
Serial.println("Falha na escrita PWM. Desligue os 12 V e verifique.");
return false;
}
brilho = valor;
Serial.printf("Comando: %u%% | PWM: %lu Hz | duty: %lu\n",
(unsigned int)brilho, (unsigned long)frequencia, (unsigned long)duty);
return true;
}
void processar(char *texto) {
if (strcmp(texto, "off") == 0) {
aplicarBrilho(0);
return;
}
if (strncmp(texto, "f ", 2) == 0) {
char *fim = nullptr;
const long nova = strtol(texto + 2, &fim, 10);
if (fim == texto + 2 || *fim != '\0' || (nova != 2000 && nova != 20000)) {
Serial.println("Use f 2000 ou f 20000.");
return;
}
// Só reconfigure se a escrita do comando zero tiver sucesso.
if (!aplicarBrilho(0)) return;
const uint32_t real = ledcChangeFrequency(PINO_PWM, nova, RESOLUCAO);
if (real == 0) {
pwmPronto = false; // Bloquear novos comandos até reiniciar e conferir
Serial.println("Falha ao mudar frequência. Desligue os 12 V e reinicie para verificar.");
return;
}
frequencia = real;
Serial.printf("PWM: %lu Hz. Envie um novo brilho.\n", (unsigned long)real);
return;
}
char *fim = nullptr;
const long valor = strtol(texto, &fim, 10);
if (fim == texto || *fim != '\0' || valor < 0 || valor > 100) {
Serial.println("Envie 0 a 100, off, f 2000 ou f 20000.");
return;
}
aplicarBrilho((uint8_t)valor);
}
void setup() {
pinMode(PINO_PWM, OUTPUT);
digitalWrite(PINO_PWM, LOW);
Serial.begin(115200);
pwmPronto = ledcAttach(PINO_PWM, frequencia, RESOLUCAO);
if (!pwmPronto) {
digitalWrite(PINO_PWM, LOW);
Serial.println("Falha ao iniciar PWM. Não energize a fita.");
return;
}
frequencia = ledcReadFreq(PINO_PWM);
if (!aplicarBrilho(0)) {
pwmPronto = false;
return;
}
Serial.println("Envie 0 a 100, off, f 2000 ou f 20000; finalizar com nova linha.");
}
void loop() {
if (!pwmPronto) { delay(100); return; }
while (Serial.available()) {
const char c = (char)Serial.read();
if (c == '\r') continue;
if (c == '\n') {
if (!linhaLonga && usados > 0) {
linha[usados] = '\0';
processar(linha);
} else if (linhaLonga) {
Serial.println("Comando longo demais; descartado.");
}
usados = 0;
linhaLonga = false;
} else if (usados < sizeof(linha) - 1 && !linhaLonga) {
linha[usados++] = c;
} else {
linhaLonga = true;
}
}
}
Abra o monitor serial em 115200 baud, com envio de nova linha. O programa inicia com comando zero e não executa aumento automático de brilho. Envie 10, 25, 50, 75 ou 100 para escolher o comando. off apaga. f 20000 muda para 20 kHz e deixa o brilho em zero; depois envie o percentual desejado. f 2000 retorna à frequência inicial.
A função de brilho informa se a escrita do PWM teve sucesso. A troca de frequência só prossegue depois de confirmar a escrita do comando zero; se a reconfiguração falhar, novos comandos ficam bloqueados até reiniciar. Isso verifica o retorno da biblioteca, não mede o desligamento físico da fita. Em caso de erro, desligue os 12 V e confira a montagem antes de reiniciar.
O firmware é fornecido para ensaio; não foi executado em uma placa física nesta preparação. A inicialização em zero não elimina por si só qualquer pulso de boot do hardware. Para uma fita, um breve lampejo é um problema funcional; aplicações em que isso seja inadmissível exigem um circuito de habilitação/intertravamento próprio.
20. Sequência de montagem e primeira energização
- Leia a potência da fita e confirme que é de dois fios e 12 V. Separe um pequeno segmento nas marcas de corte para o primeiro ensaio.
- Com tudo desenergizado, confira gate, drain e source, orientação dos CIs, polaridade dos eletrolíticos e A/K de D1. Verifique se não há curto persistente entre +12V_F e GND. Um capacitor pode produzir indicação transitória no teste de continuidade.
- Monte driver, capacitores e MOSFET com conexões curtas. Confira U2: 6 = +12V_F; 3 = GND; 2 = PWM_IN; 7 = DRV_OUT; 4 = GND; 1, 5 e 8 livres. Conecte o GND do ESP32 ao GND do circuito. Não aplique 12 V aos pinos 3V3 ou 5V da placa.
- Carregue o firmware e mantenha comando zero. Nos testes iniciais, energize primeiro o ESP32 e depois os 12 V. Ao terminar, desligue os 12 V antes de retirar o USB. Mantenha o comando em zero enquanto os 12 V estiverem desligados: a entrada do TC4424 não deve ultrapassar sua alimentação VDD em mais de 0,3 V. Isso é um procedimento de bancada, não uma garantia para qualquer falha de alimentação.
- Sem fita, confira as tensões de alimentação. Use brevemente comandos 0 e 100 para medir VGS estático: próximo de 0 V e próximo de 12 V. O drain sem carga pode flutuar e não é uma referência útil nesse teste.
- Volte a zero e desligue a fonte. Conecte o pequeno segmento. Se houver fonte de bancada, ajuste a limitação de corrente ao consumo esperado desse segmento, com pequena margem.
- Energize e teste 10%, 25%, 50% e 100%. Observe corrente, brilho e temperatura. Uma fita que não acende não autoriza aumentar a tensão da fonte além de 12 V.
- Só então desligue e substitua o segmento pela fita completa. Ajuste a limitação de corrente e confira cabos, fusível e conectores para a corrente total.
flowchart TB;
A["Montar sem energia"] --> B{"Pinagem e polaridades corretas?"};
B -->|"Não"| C["Revisar sem energia"];
C --> A;
B -->|"Sim"| D["Testar gate sem fita"];
D --> E{"VGS correto?"};
E -->|"Não"| C;
E -->|"Sim"| F["Testar segmento"];
F --> G{"Corrente e temperatura normais?"};
G -->|"Não"| C;
G -->|"Sim"| H["Ensaiar fita completa"];21. O que medir e o que esperar
Gráfico 5 — Modelo de referência em 2 kHz/50%, sem atrasos, ripple ou transientes. A tensão na fita é diferencial, entre LED+ e LED−; não é a tensão do drain em relação ao GND.
Ponto | Referência da medição | Resultado esperado |
|---|---|---|
GPIO | GND | PWM de aproximadamente 0 a 3,3 V |
Saída U1A, pino 2 | GND | Sinal invertido |
Saída U1B, pino 4 | GND | Sinal com a lógica original |
TC4424: IN A, pino 2 | Pino 3 (GND) | PWM lógico de aproximadamente 0 a 3,3 V |
TC4424: OUT A, pino 7 | Pino 3 (GND) | PWM de aproximadamente 0 a 12 V, não invertido |
Gate | Source | PWM de aproximadamente 0 a 12 V |
Drain | Source | Baixo ao conduzir; pode subir próximo da alimentação ao desligar, conforme a carga |
Fita | LED+ menos LED− | Próximo de 12 V ligada; no desligamento, valor dependente dos LEDs e capacitâncias, idealizado como zero no gráfico |
Alimentação do driver, pino 6 | GND local do driver, pino 3 | Próximo de 12 V, com ripple e picos a verificar |
Na fita real, LEDs e capacitâncias tornam a tensão de desligamento dependente do circuito. Não interprete qualquer pequeno desvio da onda ideal como falha automática.
Em muitos osciloscópios de bancada, os jacarés de terra dos canais são unidos entre si e ao terra de proteção. Conecte-os ao GND/source, nunca ao drain ou ao positivo. Para tensão na fita, use ponta diferencial apropriada ou dois canais referidos ao mesmo GND e a operação matemática CH1−CH2, respeitando os limites do instrumento. Não remova o aterramento do osciloscópio.
Meça VGS com ponta ×10 e retorno curto. Um fio longo de terra da ponta pode criar uma oscilação aparente. Para perdas de comutação, são necessárias medições de tensão e corrente com banda e alinhamento temporal adequados; uma leitura simples de multímetro não fornece essa energia.
No multímetro, corrente é medida em série. Nunca coloque a entrada de corrente diretamente entre positivo e negativo da fonte. Confira fusível, faixa e tempo máximo permitido pelo instrumento; a escala “10 A” de alguns aparelhos não permite medição contínua nessa corrente. Um alicate DC adequado é uma alternativa.
22. Experiências para compreender cada componente
Experiência A — Brilho, corrente média e potência
Mantenha 2 kHz e registre 0%, 25%, 50%, 75% e 100%. Meça tensão da fonte e corrente média no ramo da fita/fonte, anotando onde o instrumento foi inserido. Compare com a previsão D vezes a corrente em 100%. O consumo do driver, ripple e aquecimento explicam parte das diferenças.
Comando | Corrente prevista para 6 A em 100% | Corrente medida | VGS alto | Temperatura após tempo definido |
|---|---|---|---|---|
0% | ≈0 A na fita | Preencher | Não aplicável | Preencher |
25% | ≈1,5 A | Preencher | Preencher | Preencher |
50% | ≈3 A | Preencher | Preencher | Preencher |
75% | ≈4,5 A | Preencher | Preencher | Preencher |
100% | ≈6 A | Preencher | Preencher | Preencher |
Use o mesmo tempo de estabilização e registre temperatura ambiente. Nenhuma célula desta tabela contém uma medição realizada previamente.
Experiência B — O que muda de 2 para 20 kHz?
Repita 50% nas duas frequências, começando com o segmento curto. Compare período, amplitude de VGS e temperatura. A corrente média ideal muda pouco; as transições por segundo aumentam dez vezes. Filme a fita apenas como observação complementar: a câmera tem obturador e frequência próprios, portanto faixas na imagem não são uma medida direta do PWM.
Experiência C — Com e sem SN74HC14N
Desenergize tudo e monte a alternativa direta da seção 14.4. Repita os testes. Em ligações curtas e sinal limpo, o brilho deve ser semelhante. Isso demonstra que um componente pode ser útil em uma função específica sem ser obrigatório em toda aplicação.
Experiência D — Tornando a histerese visível
Faça esta experiência somente na lógica, com os 12 V desligados e a saída U1B desconectada do TC4424. Assim, a fita não participa e a saída lógica não alimenta a entrada de um driver desligado. O isolamento desta experiência serve para observar U1 separadamente; o TC4424 admite sinais lentos dentro das condições do datasheet.
Desconecte o GPIO da entrada U1A e retire R2 do nó de teste. Ligue um resistor extra de 10 kΩ entre um jumper de comando e a entrada U1A, e um capacitor extra de 100 nF entre essa entrada e GND. Mantenha U1 alimentado em 3,3 V e C2 instalado.
Com o capacitor inicialmente descarregado, leve o jumper de comando a 3,3 V. A tensão da entrada subirá aproximadamente segundo:
Ao levar o jumper a GND, partindo do capacitor carregado:
Observe simultaneamente a entrada e a saída U1A. Anote a tensão da entrada no instante em que a saída muda, primeiro na subida e depois na descida. Esses são limiares medidos no seu componente e na sua condição de alimentação.
Gráfico 6 — Rede ideal de 10 kΩ e 100 nF. Os cruzamentos usam os mesmos limiares ilustrativos de 2,0 V e 1,2 V do gráfico de histerese; os limiares reais devem ser medidos.
Com os limiares apenas ilustrativos usados no gráfico, a carga cruza 2,0 V após aproximadamente 0,93 ms e a descarga cruza 1,2 V após aproximadamente 1,01 ms. São previsões da rede RC ideal, não medições do SN74HC14N.
A saída terá uma transição rápida apesar da entrada lenta. Contatos do jumper podem ter repique, por isso examine a captura em vez de assumir uma única borda. Ao terminar, remova a rede extra, recoloque R2 e restaure a ligação original antes de energizar a potência.
Não coloque esse capacitor de 100 nF no caminho do PWM normal de 2 kHz: uma constante de tempo de 1 ms altera fortemente pulsos cujo período é de 0,5 ms. Um condicionador útil para uma experiência pode prejudicar outra função.
Experiência E — Resistência de gate e velocidade
Somente com osciloscópio e carga curta, compare R4 de 22 Ω e 47 Ω, trocando com tudo desligado. Observe VGS e VDS. A resistência maior tende a tornar a comutação mais lenta e pode reduzir oscilações, mas também aumentar perdas. Não remova R4 nem eleve a corrente para “forçar” um efeito visível.
23. Diagnóstico: o que verificar quando não funciona
Sintoma | Hipóteses | Verificação inicial |
|---|---|---|
Fita sempre ligada | Negativo conectado ao GND; drain-source em curto; comando alto permanente | Conferir LED− e medir VGS em comando zero |
Fita sempre apagada | Sem 12 V; fusível aberto; pinagem incorreta; driver sem alimentação | Conferir alimentação e testar VGS com 0/100% |
MOSFET aquece rapidamente | Gate insuficiente; source mal referenciado; transições lentas; componente danificado | Desligar e verificar VGS, corrente e pinagem |
ESP32 reinicia | Retorno de potência compartilhado; alimentação instável; interferência | Revisar GND, cabos e desacoplamento |
Brilho cai no fim da fita | Queda na trilha da fita e nos cabos | Medir tensão ao longo da fita ligada |
Fusível abre | Curto, sobrecarga ou partida incompatível com a curva | Desligar e investigar; não aumentar o fusível sem dimensionamento |
Só aparece um lampejo ao ligar | Pinagem do driver, sequenciamento, GPIO de boot ou entrada sem referência | Observar comando e VGS durante partida |
Ondas apresentam picos | Layout, indutância de fios ou artefato da ponta | Encurtar retorno da ponta e verificar laços de corrente |
23.1 Teste estático do TC4424, sem PWM
Uma leitura de 3,3 V na saída durante PWM pode ser apenas a média indicada pelo multímetro. Ela não comprova a amplitude dos pulsos. Para separar comando, driver e MOSFET, faça este teste:
- Desligue os 12 V e o USB. Desconecte a fita, a ligação de R4 à saída do driver e o sinal PWM_IN que vem do GPIO ou de U1B. Mantenha os capacitores de U2, o GND comum, R3 e o pino 4 em GND.
- Ligue um resistor de teste de 1 kΩ ao pino 2. A outra ponta será o ponto de comando: um jumper que você conecta a GND ou ao 3V3 do ESP32 para escolher o estado. Comece com ele em GND. Essa ponta não pode continuar ligada à saída de U1B nem a um GPIO configurado como saída.
- Energize o ESP32 e depois os 12 V. Meça entre 6 e 3: aproximadamente 12 V. Com o comando em GND, meça entre 7 e 3: próximo de 0 V.
- Mova somente o jumper de comando para 3V3, mantendo U2 alimentado. Meça a entrada entre 2 e 3: próxima de 3,3 V (um pouco menor devido a R3). A saída entre 7 e 3 deve ficar próxima de 12 V, mesmo sem MOSFET. Não use +12 V como comando de teste.
- Volte o jumper a GND, desligue os 12 V e depois o USB. Só então restaure R4 e PWM_IN e refaça o teste de VGS sem fita antes de conectar a carga.
Se a alimentação medida diretamente entre 6 e 3 está correta e a entrada está estaticamente alta, mas a saída sem carga continua em 3,3 V, revise orientação, contatos e identidade do CI. Uma ligação anterior incorreta pode ter danificado o driver, mas o teste não permite afirmar isso sem descartar essas outras causas. Os estados esperados seguem o canal não inversor e as características de saída do datasheet do TC4424.
Uma falha de fonte, do transistor ou do software pode deixar a carga ligada. Este projeto não tem proteção ativa de sobrecorrente, sensor térmico ou desligamento independente. Esses recursos são extensões próprias para a próxima etapa, não funções já implementadas.
24. Exercícios resolvidos
1. Uma fita de 9,6 W/m tem cinco metros. Qual a corrente nominal?
Com margem ilustrativa de 25%, a referência de capacidade é 5 A. A fonte deve manter 12 V nas condições reais de uso.
2. Em 20 kHz e 30% de duty, quanto tempo o MOSFET fica comandado ligado?
3. Com pulsos de 6 A e duty de 25%, quais são corrente média e RMS?
4. Qual a perda por condução nesse caso, usando 8 mΩ?
Usar a corrente média de 1,5 A produziria uma estimativa incorreta de 0,018 W.
5. Por que duas portas inversoras? Para manter HIGH como comando de ligar e demonstrar condicionamento Schmitt sem inverter a lógica final. Uma única porta inverteria o comando, incluindo o estado imposto pelo pull-down.
6. Por que não ligar o gate à saída do SN74HC14N e retirar o TC4424? Porque nessa alimentação a saída lógica fica próxima de 3,3 V e não oferece o acionamento de tensão e corrente de gate adotado para o IRF3205 neste projeto.
7. O diodo interno do MOSFET substitui D1? Não. No canal N desta montagem, o diodo interno conduz no sentido source → drain. D1 foi colocado para conduzir drain → barramento positivo em um transitório. São caminhos diferentes.
8. Onde usar essa arquitetura? Em dimmers de fitas de tensão constante e em outros chaveamentos DC compatíveis com a topologia e o dimensionamento. Motores, solenoides e outras cargas exigem nova análise de corrente de partida, energia indutiva, proteção e controle. Uma fita funcionando não valida automaticamente o circuito para um injetor ou motor.
25. Leitura orientada dos datasheets
Antes de copiar um valor, responda: é mínimo, típico ou máximo? É condição recomendada ou limite absoluto? Qual a temperatura? Qual a tensão de alimentação? A medida foi feita com corrente contínua ou pulso? O encapsulamento é o mesmo?
Um valor típico descreve comportamento representativo, não uma garantia para todas as peças. Um limite absoluto descreve uma fronteira que não deve ser usada como ponto normal de projeto. As curvas ajudam a entender tendências, mas precisam ser lidas com as condições indicadas.
Documento | Onde olhar | Pergunta de projeto |
|---|---|---|
IRF3205PbF | Características estáticas; carga de gate; curvas térmicas; SOA | O acionamento reduz suficientemente a resistência? Qual esforço térmico e elétrico existe? |
TC4423/TC4424/TC4425 | Características elétricas (pp. 3–4); tabela 3-1 (p. 9); figura 4-2 (p. 10) | A entrada reconhece 3,3 V? Como conectar alimentação, saída e desacoplamento? |
SN74HC14 | Pinagem; condições recomendadas; limiares; aplicação | A alimentação é compatível? Quais entradas e saídas estão sendo usadas? |
STPS10L60 | Limites; queda direta; encapsulamento | A tensão reversa, os pulsos e a polaridade são adequados? |
LEDC | ledcAttach, ledcWrite, ledcChangeFrequency | O firmware usa a API da versão instalada? |
26. Referências e próximos estudos
- Infineon — IRF3205PbF, datasheet oficial. Parâmetros elétricos, térmicos e pinagem do MOSFET.
- Microchip — TC4423/TC4424/TC4425, DS21421E. Driver, interface lógica, alimentação, pinagem e desacoplamento.
- Texas Instruments — SN74HC14, SCLS085. Inversores Schmitt-trigger, condições recomendadas e pinagem.
- Texas Instruments — Understanding Schmitt Triggers, SCEA046. Histerese, limiares e interpretação de sinais lentos.
- Texas Instruments — Fundamentals of MOSFET and IGBT Gate Driver Circuits, SLUA618A. Carga de gate, Miller, acionamento e efeitos parasitas.
- STMicroelectronics — STPS10L60, DS1593. Diodo Schottky usado como referência para D1.
- Espressif — Arduino-ESP32, LED Control (LEDC). API do periférico PWM.
As referências foram consultadas na preparação do artigo. Os desenhos e gráficos foram produzidos para esta aula e não reproduzem figuras dos fabricantes. As estimativas numéricas pertencem às hipóteses explicitadas no texto.
Uma continuação natural é adicionar medição de corrente, registrar temperatura, implementar desligamento por falha e estudar como o layout altera as formas de onda. Esse avanço transforma um dimmer didático em uma plataforma para compreender controle e proteção em eletrônica de potência.